O fim de um romance pode fazer o coração sofrer. Não é uma metáfora. É uma síndrome identificada por médicos americanos
Pesquisadores americanos sugerem que é possível, sim, morrer de amor – desfecho comum em romances, mas que parecia ser apenas uma metáfora exagerada na vida real.
Em artigo publicado na revista científica The New England Journal of Medicine, médicos da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, defendem a tese de que o sofrimento provocado por uma desilusão amorosa pode machucar gravemente o coração. Literalmente.
Sustos e ataques de raiva também teriam a capacidade de levar à falência cardíaca. Batizado de síndrome do coração partido, o mal caracteriza-se pela diminuição temporária do aporte de sangue para o coração.
A literatura médica é pródiga no registro de pacientes eu entraram em colapso cardíaco depois de fortes emoções.
O que permanecia um mistério era o mecanismo causador do distúrbio.
A equipe da johns Hopkins associou a falha cardíaca a um aumento exacerbado nos níveis dos hormônios associados ao stress, como a adrenalina e noradrenalina.
Durante 4 anos, foram acompanhados 19 pacientes.
A síndrome do coração partido atinge sobretudo mulheres saudáveis, sem histórico de doenças cardiovasculares. “Suspeitamos que o coração feminino seja mais vulnerável aos efeitos nocivos dos hormônios do stress do que o masculino” disse o cardiologista Ilan Wittstein, coordenador do estudo.
Os sintomas da síndrome são os mesmos de um infarto grave – dor no peito, náuseas e vômitos, por exemplo. As causas e os efeitos dos dois distúrbios são, no entanto, diferentes.
Os hormônios do stress, que detonam a síndrome, são essenciais para a preservação da espécie. Liberados em momentos de tensão, eles preparam o organismo para o perigo. “Algumas pessoas os produzem em quantidade muito maior, o que prejudicaria o coração”, diz o cardiologista Otávio Coelho.
O amor, portanto, pode ser um descontentamento descontente.
ONG ACUSA ESPANHA DE MATAR 4 LULAS GIGANTES
Ondas de choque provenientes de testes científicos efetuados pela Marinha espanhola mataram quatro lulas gigantes --uma do tamanho de um ônibus--, segundo o diretor de uma ONG (organização não governamental) de proteção marinha. Os corpos dos animais apareceram em praias espanholas. A Marinha espanhola nega.
"O navio Hesperides está trabalhando na área e as ondas de choque são responsáveis pela causa da morte", afirma Luis Laria, presidente da Cepesma (Centro de Proteção a Espécies Marinhas).
A QUESTÃO DA EUTANASIA NA FRANÇA CAUSA POLÊMICA
Humbert, de 22 anos, que ficou mudo, cego e tetraplégico após um acidente há três anos, entrou em coma profundo após receber uma overdose dada pela mãe na quarta-feira da semana passada. Humbert morreu na sexta-feira.
A eutanásia é ilegal na França, embora o governo tenha decidido não mudar a legislação, o porta-voz do governo, Jean-Francois Cope, disse que o debate sobre o tema está em aberto.
Chaussoy disse que é comum que o corpo médico tome decisão similar, mas que existe uma "tradição de hiprocrisia" quando o caso é revelado.
O pai de Humbert leu a última mensagem deixada por seu filho, dizendo que ele não queria nenhum sofrimento, lágrimas ou arrependimentos.
Eu quero que eles aceitem minha partida como uma coisa muito simples, muito natural, disse a mensagem.
A mãe de Humbert, Marie, foi presa e depois levada para tratamento psiquiátrico.
Ela injetou barbitúricos em seu filho, levando-o ao coma profundo, depois de anunciar antecipadamente sua intenção de tomar tal atitude.
"ESPERMATOZÓIDE ARTIFICIAL" É CRIADO NOS EUA
Acredita-se que o avanço poderá, no futuro, ajudar homens que não são capazes de produzir espermatozóides por meios naturais.
Segundo a versão online da publicação científica Nature, o cientista George Daley, do hospital das crianças de Boston, fez o experimento bem-sucedido usando camundongos.
Ele desenvolveu os espermatozóides a partir de células-tronco - as células embrionárias que ainda não se desenvolveram, dando origem a tecidos específicos.
Processo
Daley extraiu de embriões de camundongos um tipo de célula-tronco que origina células reprodutivas.
Essas células foram então cultivadas por uma semana em laboratório, durante a qual elas se multiplicaram.
Depois, ainda sem se desenvolver a cauda típica de espermatozóides, as células reprodutivas foram injetadas em um óvulo.
O resultado disso foi o surgimento de novos embriões.
O próximo passo das pesquisas será implantar ao menos um desses embriões em uma fêmea para acompanhar seu desenvolvimento.
Até o momento, nenhum camundongo nasceu depois de ter sido gerado com técnica de Daley.
De acordo com a analista de assuntos de saúde da BBC Ania Lichtarowicz, a técnica poderá ser usada em uma terapia genética, a fim de modificar espermatozóides e óvulos.
Lichtarowicz, no entanto, acredita que o uso da técnica para esse fim pode gerar polêmica, já que tais alterações, sejam elas boas ou más, seriam passadas para os descendentes do bebê.
Fonte: BBC Brasil
Condenação de procedimento usado em transplantes tem apoio de 19 países
JOSÉ MITCHELL - Jornal do Brasil - 12/12/2000
Uma declaração internacional contra a adoção da morte cerebral como justificativa para retirada de órgãos vitais destinados a transplante, assinada por 117 cientistas, médicos, psiquiatras e advogados de 19 países, começou a ser divulgada ontem pela internet, denunciando que ''pessoas condenadas à morte pela chamada morte encefálica não estão certamente mortas, mas ao contrário, estão certamente vivas''.
O documento, que será divulgado esta semana pelos órgãos de imprensa, deverá ter fortes reflexos inclusive no Brasil, um dos países que mais realizam transplantes no mundo, e reaviva a polêmica sobre a morte cerebral. Segundo um dos signatários da declaração, o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Escola Paulista de Medicina, os critérios adotados para determinar se há morte cerebral não têm base científica.
Coimbra considera ''homicida'' o teste da apnéia, que consiste na retirada dos aparelhos em pacientes mantidos vivos por meio de respiração artificial. Esse é um dos meios utilizados no Brasil para determinar se ocorreu ou não morte cerebral.
Intitulado Morte encefálica - inimiga da vida e da verdade, o documento está sendo divulgado por iniciativa da CURE, uma organização católica contra a eutanásia mas que conta também com a participação de médicos e personalidades protestantes, budistas, entre outras religiões, e mesmo sem religião. A mobilização dos cientistas se baseia, também, na mensagem que o papa João Paulo II enviou ao Congresso Internacional da Sociedade de Transplantes, em agosto passado.
João Paulo II alertou para a existência de controvérsias na comunidade científica sobre a morte cerebral. Ressaltou que há necessidade de comprovação da ''completa e irreversível cessação de toda a atividade cerebral, no cérebro, cerebelo e tronco encefálico'', para que se concretize a morte efetiva e se faça a retirada de órgãos para transplante, de forma a que se cumpra a defesa da vida de forma eticamente aceitável.
Mandamento - Segundo cientistas, entretanto, a morte cerebral detectada pelos atuais critérios não é garantia de que isso efetivamente ocorra. O documento, assinado entre outros pelo presidente da Federação Mundial dos Médicos que Respeitam a Vida, o holandês Karel Gunning, e especialistas como os médicos ingleses David Evans e David Hill e o médico japonês Yoshio Watanabe, afirma que a adesão às restrições apontadas pelo papa e a proibição imposta por Deus na lei natural moral ''impedem os transplantes de órgãos vitais únicos como ato que causa a morte do doador e viola o quinto mandamento: não matarás''.
Médicos como o ex-presidente da Associação Médica Católica dos Estados Unidos, Paul Byrne, dizem que os parâmetros para constatação da morte cerebral ''não são consenso'' na comunidade científica. Eles ressaltam que já surgiram mais de 30 protocolos sobre a definição e testes relativos à morte cerebral, só na primeira década após o primeiro transplante, em 1968, acrescentando que, desde então, os transplantes cresceram ''de forma permissiva''.
O documento ressalta que nenhum daqueles protocolos preenche os requisitos estabelecidos pela mensagem do papa João Paulo II. Acrescenta ainda que nem as exigências científicas têm sido rigorosamente aplicadas para comprovação da morte cerebral, enquanto cresce o número de cientistas que questionam o uso desse critério como comprovação do fim da vida.

BIOETICA
Prof. José Roberto Goldim
O objetivo da reprodução é a geração de novos indivíduos. Uma questão de extrema atualidade é a caracterização do momento em que o novo ser humano passa a ser reconhecido como tal. Atualmente podem ser utilizados dezenove diferentes critérios para o estabelecimento do início da vida de um ser humano.
As tentativas de realizar procedimentos de reprodução medicamente assistida foram iniciadas no final do século XVIII. Em 1978 estes procedimentos ganharam notoriedade com o nascimento de Louise Brown, na Inglaterra, que foi o primeiro bebê gerado in vitro. O Governo Inglês, em 1981, instalou o Committee of Inquiry into Human Fertilization and Embriology, que estudou o assunto por três anos. As suas conclusões foram publicadas, em 1984, no Warnock Report. Neste mesmo ano, nascia na Austrália um outro bebê, denominado de Baby Zoe, que foi o primeiro ser humano a se desenvolver a partir de um embrião criopreservado. Em 1987 a Igreja Católica publicou um documento - Instrução sobre o respeito à vida humana nascente e a dignidade da procriação - estabelecendo a sua posição sobre estes assuntos.
A partir de 1990, inúmeras sociedades médicas e países estabeleceram diretrizes éticas e legislação, respectivamente, para as tecnologias reprodutivas. A Inglaterra, por exemplo, estabeleceu os limites legais para a reprodução assistida em 1991, com base nas proposições do Warnock Report.
No Brasil, Conselho Federal de Medicina, através da Resolução CFM 1358/92, instituiu as Normas Éticas para a Utilização das Técnicas de Reprodução Assistida, em 1992.
Os aspectos éticos mais importantes que envolvem questões de reprodução humana são os relativos à utilização do consentimento informado; a seleção de sexo; a doação de espermatozóides, óvulos, pré-embriões e embriões; a seleção de embriões com base na evidencia de doenças ou problemas associados; a maternidade substitutiva; a redução embrionária; a clonagem; pesquisa e criopreservação (congelamento) de embriões.
Um importante assunto, de crescente discussão ética, moral e legal é o aborto. Independentemente da questão legal, existe nesta situação um conflito entre a autonomia, a beneficência, a não-maleficência e a justiça da mãe, do feto e do médico. Os julgamentos morais sobre a justificativa do aborto dependem mais das convicções sobre a natureza e desenvolvimento do ser humano do que das regras e princípios.
Uma área bastante complexa é a que envolve aspectos reprodutivos de casais homosexuais. Casais homosexuais femininos podem solicitar que um serviço de reprodução assistida possibilite a geração de uma criança, em uma das parceiras utilizando sêmen de doador. O médico deve realizar este procedimento equiparando esta solicitação a de um casal heterosexual ? Ou deve ser dada uma abordagem totalmente diversa ? A própria questão de adoção de crianças por homosexuais tem sido admitida em vários países, inclusive no Brasil.
As reflexões utilizadas na reprodução medicamente assistida podem ser transpostas às questões de adoção (reprodução legalmente assistida) ? A adoção, com as suas inúmeras maneiras de realização, desde as legais ou oficialmente mediadas pelo Estado até as realizadas de maneira informal, comporta um grande questionamento ético. A seleção de crianças por parte dos futuros pais adotivos, o estabelecimento de critérios sociais por parte das autoridades, a invasão de privacidade que os pretendentes sofrem em suas vidas, com a finalidade de preservar possivelmente o melhor bem-estar para acriança adotada, são algumas questões que merecem reflexão.
Por fim, uma outra questão que está propondo desafios éticos é do prosseguimento de gestações em mães com critério de morte encefálica. Já existem casos relatados, inclusive no Brasil, de situações onde a ou seus familiares, solicitam que todas as medidas de suporte vital sejam utilizadas para que a gestação possa resultar em um bebe viável. As equipes médicas podem atender a um demanda destas ? Como fica o critério encefálico de morte nestas situações ? Esta paciente, já considerada morta, continua sendo paciente, ou o seu bebe é que assume este status ? Neste caso, quando que a mãe será considerada morta ? Estas questões merecem ser refletidas e discutidas nos seus aspectos mais amplos.
O STF, por meio do ministro Marco Aurélio, concedeu uma liminar à CNTS (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Saúde) em que reconhece que gestantes têm direito de interromper a gravidez de feto anencefálico (sem cérebro).
Por outro lado, diz a CNTS, "a permanência do feto anômalo no útero da mãe é potencialmente perigosa, podendo gerar danos à saúde da gestante e até perigo de vida, em razão do alto índice de óbitos intra-uterinos desses fetos". A entidade alega que "a antecipação do parto nessa hipótese constitui indicação terapêutica médica: a única possível e eficaz para o tratamento da gestante, já que para reverter a inviabilidade do feto não há solução".
Contrária à interrupção da gravidez em qualquer caso, a CNBB (Confederação Nacional dos Bispos do Brasil) pleiteou sua inclusão como parte no processo. Em 24 de junho, o ministro Marco Aurélio negou a inclusão.
Segundo a Agência Brasil, a entidade vem trabalhando junto ao STF para que o entendimento definitivo seja diferente deste. "Mesmo sem cérebro, esses fetos têm a dignidade da pessoa humana", afirma dom Odilo Pedro Scherer, secretário geral da CNBB.
A anencefalia é um defeito de formação do sistema nervoso fetal que ocorre entre o 23º e o 26º dia de gestação.
Os bebês com este problema nascem sem a maior porção do cérebro. O tecido cerebral restante geralmente fica exposto, sem a proteção do crânio ou de pele.
Por esta razão, a criança geralmente nasce cega, surda e sem consciência e não sobrevive mais que algumas horas --no máximo, morre em poucos dias. Neste caso, os outros órgãos muitas vezes estão completos e perfeitos, e podem ser doados.
"Nem mesmo a forma é estável. A substância é uma corrente de energia que entra por uma extremidade e sai pela outra. O propósito da vida é se manter e perpetuar em um fenômeno fisico-químico." Alan Watts
"... é que o mais simples organismo, a mais simples bactéria, já é uma coalisão de um imenso número de moléculas. Não há como supor que todas as partes tenham-se encontrado por acaso, um belo dia, e de repente, tenham-se disposto num sistema de tal complexidade."
François Jacob

Claudinei Ferraresi
12/03/1980
22/09/2004
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